Paulo Afonso, 23 de fevereiro de 2024

Política

Witzel nega vazamento de informações que ligam Bolsonaro a morte de Marielle

Governador do Rio de Janeiro disse que acusações de presidente mostram que ele não está “em seu estado normal”

Por Eduardo Miranda
Extraído do Site Brasil de Fato

Publicado em 30 de Outubro de 2019 às 15:24

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), reagiu na manhã desta quarta-feira (30) às acusações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de que teria vazado para a TV Globo informações sigilosas da Polícia Civil do estado sobre a investigação da morte da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes. Segundo Witzel, Bolsonaro não está “no seu estado normal”.

“Jamais vazei informação como magistrado ou como governador. Lamento que o presidente tenha, talvez num momento de descontrole emocional, em que está numa viagem, não está, talvez, no seu estado normal, tenha feito acusações contra a minha atividade como governador. Não manipulo o Ministério Público nem a Polícia Civil, isso é absolutamente inadequado, contrário às instituições democráticas”, afirmou Witzel.

Mais cedo, Jair Bolsonaro, que está em viagem oficial pela Arábia Saudita, afirmou a jornalistas que o próprio Witzel disse a ele, no início de outubro, que as investigações e o processo sobre a morte de Marielle estavam no Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizando que o crime envolve políticos com foro privilegiado.

“No dia 9 de outubro, às 21h, eu estava no Clube Naval no Rio de Janeiro. Chegou o governador Witzel e falou o seguinte: ‘o processo está no Supremo’. Eu falei: ‘que processo?’ ‘O processo da Marielle.’ ‘Que que eu tenho a ver com a Marielle?’ ‘O porteiro citou teu nome.’ Quer dizer: Witzel sabia do processo que estava em segredo de Justiça”, disse Bolsonaro.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (30), o presidente do Psol, Juliano Medeiros, também falou sobre o vazamento.  “Está circulando desde ontem a informação de que o governo do Rio de Janeiro vazou as informações. É isso que ouvimos também, e é isso que chegou para o Psol”.

Em nota, a Polícia Civil disse que a instituição pertence ao estado, e não a um governo, e que Witzel jamais interferiu ou teve acesso a informações sigilosas da investigação. “A Polícia Civil reafirma que a investigação desse caso é conduzida com sigilo, isenção e rigor técnico pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), sempre em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro”.

Entenda o caso

Denúncia divulgada pela TV Globo sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes apontam que o principal suspeito dos crimes citou o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Com isso, as investigações devem ser levadas para o Supremo Tribunal Federal (STF), por conta do foro privilegiado de Bolsonaro.

Segundo as revelações do Jornal Nacional, na noite da última terça-feira (29), a Polícia Civil do Rio de Janeiro teve acesso ao caderno de visitas do condomínio na Barra da Tijuca, na zona sul do Rio de Janeiro, onde vivia a família Bolsonaro e o ex-policial militar Ronnie Lessa, acusado pelo Ministério Público e pela Delegacia de Homicídios de ser o autor dos disparos que mataram a vereadora e seu motorista.

Horas antes do crime, em 14 março de 2018, Élcio Vieira de Queiroz teria anunciado na portaria do condomínio que iria visitar Jair Bolsonaro e acabou indo até a casa do PM reformado. Élcio é acusado pela polícia de ser o motorista do carro usado no crime. Os dois suspeitos foram presos em 12 de março deste ano.

Conforme apresentou o Jornal Nacional, no dia da visita, Bolsonaro estava em Brasília e não em sua casa no Rio de Janeiro.

Bolsonaro negou o envolvimento no assassinato da vereadora, por meio de um vídeo ao vivo nas redes sociais e chamou o governador do Rio de Janeiro de “inimigo”. Ele ainda ameaçou a não renovação da concessão da TV Globo em 2022. “Acabei de ver aqui na ficha que o senhor [Witzel] teria vazado esse processo que está em segredo de Justiça para a Globo. O senhor só se elegeu governador porque o senhor ficou o tempo todo colado no Flávio Bolsonaro, meu filho”, disse.

Edição: Mariana Pitasse

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