Paulo Afonso, 25 de fevereiro de 2024

ESPECIAL

Irmã Dulce: uma santa mulher à frente do seu tempo

A mulher mais espetacular do século XX’, afirma Graciliano Rocha, autor do livro ‘Irmã Dulce, a santa dos pobres’

Por: Élida Oliveira

De Bahia.Ba – Publicado em 12/10/19 – às 08:20

A baiana Maria Rita Lopes Pontes, nascida em Salvador em 1914, conhecida como  ‘Irmã Dulce’, teve ao longo dos seus 77 anos uma vocação e devoção à caridade. Praticante do bem, o ‘anjo bom da Bahia’ fundou as obras sociais que carregam seu próprio nome de freira, ajudou em causas humanitárias, arrecadou e distribuiu aos mais necessitados. Foi inspirado e movido por essa história que o jornalista Graciliano Rocha transformou essa trajetória de vida em uma obra biográfica, ‘Irmã Dulce, a santa dos pobres’, lançado este ano no Brasil.

Graciliano contou ao bahia.ba como reconstituiu em uma biografia a vida e as obras da primeira mulher brasileira a se tornar santa, a ser canonizada no Vaticano, no domingo (13).

Uma obra escrita ao longo de oito anos sob consulta de acervos nacionais e internacionais, percorridos em Salvador, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e até nos Estados Unidos. Um processo desbravador construído a cada episódio.

Foto: Acervo Pessoal Graciliano Rocha

“Nos anos 60 tem um episódio de uma viagem dela para lá [EUA]. Essa viagem pouca gente conhecia. Eu retracei essa viagem no livro. Ela recebeu um financiamento e voluntários de uma organização americana em suas obras”, disse o jornalista sobre as histórias descobertas a partir de sua pesquisa documental.

Graciliano descreve Irmã Dulce como uma mulher à frente do seu tempo, “moderna e contemporânea”. Para ele, a vida voluntária de Dulce a tornou uma líder das causas humanitárias.

“Irmã Dulce era uma pessoa muito competente para criar projetos, tirar do papel e assumir os riscos. Uma boa organizadora. De certa maneira, uma mulher que antecipou em muitas décadas a chegada de outras mulheres à posição de poder e influência. Ela nasceu em 1914, e se esperava da mulher contemporânea uma posição mais subalterna, seja na família, na vida profissional, pessoal e religiosa. Ela foi a protagonista dos fatos, ela foi a mulher com uma capacidade de trabalho imensa, ela foi muito bem-sucedida. A prova disso é o hospital dela continuar com essa importância gigantesca”.

O jornalista também contou sobre os fatos marcantes da obra. “Mergulhar nesses episódios, nos documentos e escrever com segurança. A maneira como ela invadiu as primeiras casas na ilha dos ratos para cuidar dos doentes. A transformação de um galinheiro em um embrião de ambulatório, que hoje se tornou um hospital de referência. Conhecer os detalhes, como foi feito cada projeto, quem ajudou a irmã Dulce nas suas conquistas e obras, isso foi muito gratificante”.

Graciliano ressalta a contribuição histórica do livro para uma maior divulgação das obras e da vida de Irmã Dulce. “Esse é um aspecto que eu acho importante, no qual o livro contribui. E obviamente, como é uma biografia, você está tratando da vida de uma pessoa, os aspectos pessoais, como era a relação dela com as mídias, como era a relação com os órfãos da cidade de Simões filho, com as autoridades da igreja, com empresários, políticos. Isso tudo é transcrito pelo livro. Acredito que essa é a contribuição maior”.

Questionado sobre a transformação da obra em filme, Graciliano e relatou o desejo de aumentar os números de apreciadores da obra documental. “Quero que as pessoas leiam o livro. Nesse primeiro momento, não estou preocupado em transformá-lo em uma obra cinematográfica”, afirma. Mas ele admite que houve, sim, sondagem das produtoras.

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