Entrevista: Adonel Júnior, interino da saúde, fala sobre o Hospital Nair e adianta novas informações

Entrevista: Adonel Júnior, interino da saúde, fala sobre o Hospital Nair e adianta novas informações

Hospital Nair tem metade dos recursos garantido e secretário fala de planos

Adonel Júnior, interino da saúde fala sobre como a gestão municipal está trabalhando em articulação com os governo estadual e federal para garantir o Nair funcionando.

Reportagem: Dorisvan Lira e José Ivandro | Redação Tribuna Mulungu

O Hospital Nair Alves de Souza (HNAS), em Paulo Afonso, surgiu como iniciativa privada da Companhia Hidrelétrica do São Francisco, a Chesf, para atender, inicialmente, os funcionários da empresa. Nos anos 50 ela chegou a ter mais de 30 mil trabalhadores envolvidos na construção do complexo.

“A PREFEITURA PODERÁ ARCAR COM OS RECURSOS E MANTER O HNAS, A MAIOR EMERGÊNCIA DA REGIÃO?

Nas décadas seguintes a cidade que surgiu ao redor da empresa, Paulo Afonso, emancipada em 1958, seguiu usufruindo da unidade. Agora, contando com recursos da empresa e do SUS, com participação da prefeitura em contratações e compra de insumos. Dados de 2015* indicavam mais de 88 mil atendimentos por ano. Os custos, no último ano, chegaram a R$ 35 milhões.

Em 2020, iniciou-se o processo de transferência da gestão administrativa e financeira para o poder público. Concluída em dezembro, 2021 segue com incógnita: a prefeitura poderá arcar com os recursos e manter o HNAS, a maior emergência da região?

Neste contexto, a Tribuna Mulungu conversou com o Adonel Júnior, secretário municipal interino da saúde de Paulo Afonso sobre o futuro do Hospital Nair Alves de Souza.

Tribuna Mulungu: Secretário, em que situação a prefeitura recebeu o Hospital Nair Alves de Souza (HNAS), já que era um dos compromissos da Chesf entregar o hospital em boas condições?

Adonel Júnior – Ruim, vamos ter que fazer reformas praticamente em todo prédio. Equipamentos sucateados. Estamos fazendo já reformas estruturais para ampliar o número de leitos. Mas existe um recurso depositado em juízo de R$ 45 milhões com o qual pretendemos recuperar o hospital.

RUIM, VAMOS TER QUE FAZER REFORMAS PRATICAMENTE EM TODO PRÉDIO.

Adonel Júnior sobre a infraestrutura do HNAS

TM: Há também uma perspectiva para que os serviços melhorem e o HNAS possa realizar novos procedimentos?

AJ – Estamos ampliando a clínica cirúrgica e estamos conseguindo junto ao governo estadual, um Arco em C, desta forma deixaremos de encaminhar muitos pacientes de ortopedia.

TM: E quanto às equipes de trabalho, qual o destino deles com a transferência?

AJ – Todos os profissionais vinculados a terceirizadas, conforme necessidade, estão sendo absorvidos. As equipes já foram contratadas conforme programação de saída da Chesf.

EXISTE UMA PREOCUPAÇÃO, JÁ EXTERNADA PELO GESTOR MUNICIPAL, DE QUE NÃO SERIA POSSÍVEL MANTER O FUNCIONAMENTO DO HOSPITAL SE OS RECURSOS NÃO FOSSEM CONFIRMADOS.

– Tribuna Mulungu

TM: Existe uma preocupação, já externada pelo gestor municipal, de que não seria possível manter o funcionamento do hospital se os recursos não fossem confirmados. Há alguma informação sobre a garantia do funcionamento e dos recursos?

AJ – Hoje nós estimamos um custo de R$ 35 milhões/ano para fazer uma boa gestão da unidade. O que temos de concreto é um repasse de R$ 14 milhões, então nem 50% do que precisaríamos.

Mas o nosso prefeito [Luiz de Deus], está comprometido como todos nós, em darmos a mão e correr atrás de ampliação dos recursos. Estamos em discussões diárias, com o Estado e o Governo Federal, contamos com o apoio incondicional do Deputado Mário Júnior também.

Ainda no mês de janeiro, o Governo do Estado assinará um contrato com o município de Paulo Afonso no montante de R$ 4,276 milhões por ano referente a contratação da unidade hospitalar. Com esse recurso, o estado contrata os leitos de gestação de alto risco, incluindo a Unidade de Cuidados Intermediários-UCI Neonatal e a Enfermaria Canguru (modelo de assistência ao recém-nascido prematuro e sua família), bem como o atendimento hospitalar em outras especialidades. Ainda realiza um incentivo financeiro para a manutenção da porta de entrada da urgência e emergência.

TM: E repasses do governo federal, alguma previsão, algo certo?

AJ – O governo federal entrará inicialmente com um repasse anual de R$ 10 milhões por ano. Os recursos podem aumentar com a habilitação de novos serviços, iremos ampliando o repasse.

*Revista Mais Destaque – maio de 2015.

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