Poeta analfabeto do sertão vira sucesso na internet

Poeta analfabeto do sertão vira sucesso na internet

Da Redação- Publicado em 20/10/2020 às 13:49

vida em si é um poema. Dizem que os poetas são loucos, boêmios, sonhadores. Podem ser tudo isso, sim, mas também podem ser um poço profundo repleto de emoções. O poeta é um ser que consegue captar tudo aquilo que os outros (os não poetas) sentem, mas não conseguem colocar no papel ou simplesmente declamar .

A vida tem um colorido mais vivo, as flores não são só milagres da natureza, são doces presentes da mãe terra, tantas vezes aclamadas e declamadas em poemas pela eternidade.

O mundo do agricultor Leonardo Bastião se resume ao sítio onde mora, na zona rural de Itapetim, no sertão do Pajeú pernambucano. De lá, ele quase nunca sai. E, desse universo, tira a inspiração para fazer poesia:

“A sombra que me acompanha/ Não é a que me socorre/ Se eu andar, ela anda/ Se eu correr, ela corre/ E é mais feliz do que eu/ Não adoece nem morre”

Só que Bastião, de 74 anos, não sabe ler nem escrever. Palavras, rimas e métricas brotam na cabeça, no improviso. Mas décadas de composição da poesia popular repentista – inspirada pela caatinga, pelos problemas de alcoolismo, pelo sexo, pelo solo castigado, pela seca, pelos bichos – nunca ganharam qualquer registro.

Pelo menos, era assim até 2008. Foi nessa época que o comerciante Bernardo Ferreira, de 57 anos, nascido no sítio vizinho ao de Bastião, comprou uma câmera em São Paulo e começou a filmar a vida da pacata Itapetim, de 14 mil habitantes, e o que saía da cabeça e da boca de Bastião e de outros poetas desse pedaço de sertão.

Os vídeos de Bastião “O poeta analfabeto” já foram exibidos em festivais de cinco países, como Rússia, França, Índia e Bósnia, onde ganhou na categoria “melhor roteiro”. No último dia 28 de setembro, o filme foi exibido em praça pública, em Itapetim.

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