OFÍCIOS E OFICIAIS

OFÍCIOS E OFICIAIS

Em certas circunstâncias me pego pensando sobre pessoas que ao longo de suas vidas dedicaram-se a família e a comunidade, e na simplicidade, de maneira ordeira deram uma formação, tendo o trabalho como elemento principal de valoração sendo ele o fundamento primeiro na construção da igualdade e dignidade humana.

Os nossos ancestrais já se utilizavam de uma “máxima” ao praticar uma coisa que chamavam “de vergonha” e diziam mais,”quem tem vergonha não faz vergonha”.
Portanto, tenho motivos de me orgulhar desta origem cabocla, sertaneja, nordestina resistente às próprias intempéries, somos sobreviventes.

Muito cedo aprendemos que não devemos desistir, mas sim insistir para não perder o brio que carregamos, que nos protege e nos faz andar de cabeça erguida, a enxergar no horizonte uma oportunidade de ir em frente.
É um exercício natural, da nossa índole de fé e perseverança, que não nos larga, traduzida pelo modo de vida de tantos ofícios.

Toda esta herança cultural é uma riqueza imensa, ainda presente nas periferias, nos interiores e nos mais longínquos rincões deste país, as plantas, ervas, cascas, folhas, entre meios e raízes fartamente utilizados, estudados como fitoterápicos e/ou medicina natural, marcados por uma ancestralidade manifestada pelas mezinheiras e raizeiros, ainda presentes em mercados, praças e feiras livres, carregando consigo uma sabedoria milenar de grande importância no meio popular.

Ervas medicinais – Mezinheiras e Raizeiros

Estou a falar de uma época não muito distante em que as comunidades não tinham acesso ao tratamento médico e muito menos hospitalar, assim sendo, as “parteiras” eram consideradas pessoas diferenciadas na comunidade, adquirindo o status de mãe, por ter proporcionado a vinda de uma nova vida, uma nova promessa, uma nova esperança em que se celebra a alegria do nascimento.

Naturalmente estas eram revestidas de muita coragem, das técnicas de parto e da prática da oração, se utilizando da intercessão, de uma ajuda espiritual, como forma de realizar o seu intento e tamanha façanha.

Nestes momentos difíceis as mezinheiras e pajelanças aliadas a prática da oração, assumem uma importância crucial no êxito do seu ofício.

Mulheres Rendeiras – Renda de Bilros

Ao destacar estes ofícios quero homenagear as pessoas que vivem no anonimato, prestando relevantes serviços nas comunidades, sendo eles merecedores de visibilidade e valoração tamanha a sua dedicação, coragem e caridade cristã.
Quero e devo reverenciar também as rendeiras, pela sensibilidade, delicadeza e arte ao fazerem as suas rendas, em particular as “rendas de bilros” tão cobiçada por nascerem da nobreza dos movimentos, em brotar de mãos calejadas tão belo trabalho da artesã, em decorar as salas da “Casa Grande”.

Prof.Jose Maria de Souza , Escritor Esp.em História do Nordeste e Dirigente Escolar

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