CONFLITOS, DILEMAS E SUPERAÇÃO!

CONFLITOS, DILEMAS E SUPERAÇÃO!

A família é de fato a primeira instituição social que se formou, considerada como a “célula mater da sociedade”. “Se a família vai bem a sociedade vai bem “, estas afirmativas evidenciam a sua grande importância.
Ao longo do processo histórico ela vem sofrendo mudanças na sua estrutura, composição, costumes e valores, decorrentes das grandes revoluções, de uma nova visão de mundo, alicerçadas em contemporâneas filosofias de moral.

Nos dois últimos séculos as sociedades como um todo, sofreu grandes e abruptas mudanças, numa velocidade inesperada e a família não conseguiu se preservar, até por não entender o processo em que está inserida, não se dando conta sequer dos novos valores que lhes invade, causando os chamados conflitos de gerações.
O avanço do liberalismo econômico e tecnológico alterando as leis de consumo, a contra cultura, o próprio materialismo e uma nova ordem moral estabelecida, construiu e consolidou novos bolsões de pobreza, alargando as injustiças sociais.

As sequelas provocadas por tantas mudanças é praticamente impossível de barra-las, é muito maior do que imaginamos, esta é uma onda que se agiganta perante os nossos olhos, este é um desafio que teremos que enfrentar.
O nosso viver deveria ser como um Rio que nasce, corre, seguindo o seu curso natural, se avolumando, caudaloso a alargar as suas margens, deixando o húmus fertilizante gerando outras vidas, se perpetuando em seus fins até a sua desembocadura.

Em um dado momento a natureza se rebela produzindo águas barrentas, inundações, e com ela destruição, assim é o ser humano, criado para a felicidade, no entanto, a desobediência nos tem demonstrado o alto preço que pagamos por não viver a retidão, recaindo hora no pecado individual, hora social, o que denota em um dado instante a prevalência do egoísmo.
A vida nos remete ao “passio”, ou seja, paixão igual a sofrimento, necessariamente o ser humano não teria que passar pela dor para aprender, mas nos acompanha incomodando de acordo com o período e intensidade.
Precisamos encarar a paixão e a dor como parte integrante do existir e à medida que a contemplamos nos purificamos, ela por si só provoca em nós um estado de introspecção e elevação.

A família não é isenta de conflitos, “há quem diga que família perfeita só na foto”, mas, perfeita é aquela que se une diante das dificuldades e busca sua superação. E tenham a certeza que ela é de fato o nosso porto seguro, todos aqueles que se ausentam, na maioria das vezes por força do trabalho, almejam ao final do dia retornar para o seu lar.
A natureza retrata o grande poder de Deus e ao mesmo tempo é o maior presente que nos foi ofertado; ao homem cabe conviver e desfrutar desta harmonia e de tão bela exuberância!

Diante das nossas imperfeições na maioria das vezes ao lidar com a dor devolvemo-la, agimos estranhamente, chegamos a ser hostis, intrigantes com aqueles que na maioria das vezes escolhemos para viver e dizemos amar.
Porque somos tão cruéis consigo mesmo? Sempre buscamos alguém para descarregar nossas frustrações, em vez de procurar ser emocionalmente pacientes, se utilizando da ternura e da amabilidade para com o outro.

A família não é uma ideia, um encontro casual e simplesmente uma instituição, é uma inspiração divina, portanto sagrada. Nela exercitamos diariamente um pouco da paixão e morte, mais também da salvação…

A sagrada família não é uma instituição meramente civil, consagrada aos ritos sacros e religiosos, portanto, é regida por princípios e valores espirituais que lhes garante uma estrutura moral traduzida em bons comportamentos e costumes.
A família é o lugar em que devemos cultivar a compaixão, o que nos une não são só os laços de sangue, mas a responsabilidade e o compromisso em edificá-la mediada pelo o amor, torna-se uma exigência cada vez maior diante dos desafios que crescem assustadoramente.

Como buscar a perfeição no imperfeito? Somos um diamante que ao ser lapidado, transforma-se em uma bela joia aos olhos do Altíssimo. Reconhecer-se nas suas deficiências e fragilidades, lhes permite um crescimento como ser humano, capacita-nos no entendimento do outro.
Se nos colocamos como aquele que tem a aprender chegaremos a humildade, tão necessária à convivência lastreada pela disciplina, obediência e fé.

Ser família é se descobrir neste fim precípuo, não devendo prescindir deste papel. Deveríamos nos sentir honrados por Deus nos ter escolhido e confiado a vida dos “nossos filhos “, tamanha responsabilidade exige-nos liderança, paciência e sabedoria.
Porque teimamos em fazer das pessoas iguais, se são apenas semelhantes?as escolhemos e elegemos como amigas, namorados, cônjuges, mau nos apercebemos que o nosso crescimento se dá no silêncio, já a destruição é ruidosa, como incomoda e desequilibra, mesmo momentaneamente.
Como ser felizes senão pela compaixão?

Este é um momento de fazer escolhas e que são de fato doloridas, nos tornamos predispostos à eliminar o que nos causa tanto desconforto, perdemos o senso da unidade, agora somos tão diversos, o que outrora nos parecia maravilhoso e que nos enchia de sonhos, agora é pura hostilidade, é como se um espinho estivesse a nos furar e cortar a nossa carne, assim sendo, tudo que se faz neste momento é visto erroneamente, como uma ofensa brutal.

Diante de acirradas posições, resta a mediação, preferencialmente com acompanhamento psicológico e jurídico, de maneira consensual, dada a urgência de resolução em eliminar o conflito e retomarem o curso das suas vidas naturalmente. Após anos de convivência isto gera uma situação traumática e cheia de ressentimentos.
Precisamos entender que estamos a lidar com rupturas no âmbito familiar, o que envolve diretamente os seus membros: pais, filhos, avós e aderentes, pessoas íntimas que trazem consigo sentimentos, sonhos e projetos, o que redunda numa grande carga emocional.

Diante das responsabilidades da família em cumprir as suas funções, a de educar é de fato o maior desafio. Como fazê-la perante a separação dos seus membros? Como prepará – los para serem íntegros, aprender a amar e serem felizes? Não vejo como faze-lo senão através do testemunho, da afetividade, em buscar alternativas de reaproximação e convivência, como forma de minorar o distanciamento e as ausências, e, isto só ocorrerá se existir uma consciência das atribuições que lhes cabem, o que sugere um compartilhamento, do contrário a sensação real de incompletude é visível.

As marcas são indeléveis, profundas e consequentes, agem como sombras que nos acompanhará por toda a vida, que teimam em nos assustar, feridas que resistem à cicatrização, só superada pela compreensão e maturação.

Desenvolvemos um instinto de preservação à toda sorte de agressão, ao ponto de não perceber quando algo é feito por si e que agrega valor.
A família ao se sentir destroçada com a separação, entram em cena as figuras de avós e netos, divididos e duplamente insatisfeitos, ao constatar o fracasso conjugal, por vê cairem por terra os sonhos, essa desestruturação questiona a responsabilidade de todos os envolvidos e os avós se vêem praticamente obrigados a também fazerem escolhas, e estas são duplamente doloridas, na maioria das vezes já fragilizados pela idade, doença e o próprio abandono, arregimentam forças interiores para enfrentar o sobre peso da carga emocional quê os envolvem.
Devendo eles terem o máximo de cuidado para não serem enredados pelos atos de crueldade que decorrem de uma relação frustrada, em não ceder às chantagens emocionais de costumes, porque daí surgem o perigo das compensações.

Serem avós é também muito gratificante, com a experiência são mais tolerantes, atenciosos, delicados e contemplativos. Tem os seus limites e o seu próprio tempo, e o destino valoroso de serem avós permite aos netos viver e conviver, afastando o vazio existencial que muitas vezes os acompanha.

“Deus é luz para os perdidos, força para os desanimados, a certeza para os desacreditados. Nele, os sonhos recebem esperança; caminhar, segurança; o coração paz. Ele é tudo que precisamos.”


Prof. Jose Maria de Souza, Escritor Esp. em História do Nordeste e Dirigente Escolar

  1. Belo texto professor!!!
    No momento tão diverso e conturbado em que estamos vivendo, precisamos refletir e pôr em pratica certas ações das quais voce se refere nessa bela matéria . E quando coloca que “A família ao se sentir destroçada com a separação, entram em cena as figuras de avós e netos, divididos e duplamente insatisfeitos, ao constatar o fracasso conjugal, por vê cairem por terra os sonhos, essa desestruturação questiona a responsabilidade de todos os envolvidos e os avós se vêem praticamente obrigados a também fazerem escolhas”. Quando de fato, o casal junto ou separado, os avós continuam sendo avós e os netos continuam sendo netos!
    E ai é preciso muita cautela para superar esse conflito . E essa publicação é muito esclarecedora e ao mesmo tempo confortante porquê dá pra perceber que esse não é um dilema de apenas um ser….
    É um texto para muitas reflexões!!
    Obrigada por conscientizar e ajudar psicologicamente as pessoas através da comunicação.

  2. Obrigado Helia, sinto-me lisonjeado e ao mesmo tempo feliz por saber que estou contribuindo na nobre missão de educar, e, em especial para com todos aqueles que tenho um profundo sentimento de amizade e gratidão. Ao nosso Pai Eterno, o Altíssimo.

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