Viver diariamente

Viver diariamente

Por Ana Martins, Colunista Tribuna Mulungu, 11/06/2019 ás 00:00

Pe. Jorge Filho. destaca que “É necessário fazer da Vida humana um ‘dom’ vivido em favor da sociedade em todos os níveis, para isso é preciso que, como agentes missionários da família se tenha a coragem de ser profetas, iluminados pela palavra e compromissados pela defesa da família e da vida desde a sua origem até a morte natural”.

Sábado (08/08) fui trabalhar e me deparei com uma situação que me provocou o dia inteiro, uma jovem senhora e mãe havia morrido. Ao cruzar a rua, caminho que faço diariamente para ir ao trabalho, percebi algo estranho, uma movimentação um cenário diferente dos demais dias, não por ser um sábado letivo, mas algo movimentava aquele pedaço da rua a poucos metros do meu local de trabalho, tempos mais tarde soube que a moradora ali perto havia morrido, perguntei a uma colega que mora vizinho se teria sido suicídio, devido a casos ocorridos aqui recentemente, ela garantiu que não, porém não sabia nada além disso, desconhecia os motivos que levaram ao óbito.

Fiquei travada com aquilo e reflexiva, viver é realmente um sopro rápido e ainda corremos o risco de sermos interrompidos a qualquer momento, subitamente deixando tudo para traz ou mesmo, para outros continuarem ou não; o que deixamos, plantamos, pois ninguém tem obrigação de dá continuidade aos sonhos alheios. Viver intensamente hoje e agora pois poderemos não ter mais uma outra oportunidade, um outro momento. É realmente um desafio.

Viver é um desafio constante e nessa busca diária de vida e de qualidade da mesma; nas escolas públicas brasileiras não é diferente, são inúmeros desafios num constante desejo que a escola pública seja de fato tratada com o devido valor, envolvendo a família, a instituição importante que está tão afetada na atualidade, com tantos modelos, e a escola recebe diretamente todos esses reflexos. Ouvi uma colega de trabalho relatar que uma mãe externou no corredor “as professoras são todas velhas mas tudo querendo ser nova”. Isso numa escola pública, a fala incomodada de uma mãe. Vi claramente um sentimento negativo, a falta de respeito com os profissionais, no caso aqui a professora, e realmente estamos envelhecendo e não temos profissionais aptos para dá continuidade.

A escola pública é uma riqueza em diversidade e também em descaso, o cenário é perfeito para tantos talentos. O alunado das escolas públicas possui brilho, encanto peculiar, com investimento devido, adequado teria-se competentes profissionais e seres de material humano raro, material esse que hoje encontram-se a mercê da sociedade, digamos assim largado; a escola pública ainda não tem o suporte ideal e com isso a sociedade perde.

A vida diária da escola pública é movimentada, com salas de aulas super lotadas, o ensino por parte de alguns” profissionais” fica a desejar, por insatisfação pessoal, salarial, etc. O que torna um agravante na formação, na vida diária do alunado que necessita/precisa desse espaço para compor sua história.

Os governantes são apáticos/letárgicos a escola pública, talvez porque seus filhos não precisem frequentá-la, acredito que o investimento positivo na escola pública seria fortalecido se os filhos dos governantes pudessem frequentá-las.

Acreditar na escola pública é sonhar que o mundo será melhor com governantes sinceros, com famílias envolvidas no processo educacional/intelectual/cultural e com professores e/ou profissionais da educação satisfeitos com seu papel e sua remuneração.

A escola pública perdeu seu status devido à crise familiar do cenário atual brasileiro, o que está passando reflete os novos modelos familiares advindo na atualidade e que nem a família e nem a sociedade não conseguem explicar, com isso vem se arrastando e criando outros problemas, mas temos a vida,  o dom da vida não pode ser banalizado na sociedade, na escola ou mesmo em casa, a escola é a recepcionista/protagonista  para a mudança de vida, trabalho do caráter e valores que cada cidadão traz de casa, mas quando não se traz bem pouco ou quase nada de casa? Ela contribui? Ou ela torna-se a maior responsável nesse processo formativo que seria sem dúvida papel da família?

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